Ezequiel Dias
Fonte: Revista MINAS FAZ CIÊNCIA; FAPEMIG; n° 30 (junho a agosto de 2007).
O médico e pesquisador carioca, discípulo do sanitarista Oswaldo Cruz, contribuiu para o desenvolvimento da pesquisa científica em Minas Gerais e participou da implantação do centro de pesquisas que hoje leva o seu nome.
Em 1907, desembarcava em Belo Horizonte o médico Ezequiel Caetano Dias. Vindo do Rio de Janeiro, onde era discípulo e colega do médico sanitarista Oswaldo Cruz, ele tinha como missão dirigir uma filial do Instituto Manguinhos (atual Fundação Oswaldo Cruz) em Minas Gerais. Inaugurada em agosto daquele ano, a filial tinha como objetivo disseminar conhecimentos científicos, contribuir para a ampliação das pesquisas na área de Ciências Biológicas e instituir um centro de produção de soros e vacinas.
O médico e pesquisador carioca, discípulo do sanitarista Oswaldo Cruz, contribuiu para o desenvolvimento da pesquisa científica em Minas Gerais e participou da implantação do centro de pesquisas que hoje leva o seu nome.
Em 1907, desembarcava em Belo Horizonte o médico Ezequiel Caetano Dias. Vindo do Rio de Janeiro, onde era discípulo e colega do médico sanitarista Oswaldo Cruz, ele tinha como missão dirigir uma filial do Instituto Manguinhos (atual Fundação Oswaldo Cruz) em Minas Gerais. Inaugurada em agosto daquele ano, a filial tinha como objetivo disseminar conhecimentos científicos, contribuir para a ampliação das pesquisas na área de Ciências Biológicas e instituir um centro de produção de soros e vacinas.
Desafios como esse marcaram a vida do pesquisador, nascido em 11 de maio de 1880, na cidade de Macaé (Rio de Janeiro). Aos 16 anos, foi para a capital carioca fazer o curso de Farmácia, como era vontade de seu pai. Sua vontade, entretanto, era seguir a carreira médica. Por isso, após concluir os estudos, decidiu levar o sonho adiante. Ainda como acadêmico de Medicina, começou a trabalhar no Instituto Manguinhos, onde conheceu Oswaldo Cruz.
Conta-se que, durante a entrevista de admissão com o pesquisador, este lhe perguntou se conhecia alguma coisa de Bacteriologia. Surgiu o dilema: contar a verdade e, com isso, arriscar a perder o trabalho, ou exagerar em suas qualificações. Acabou optando pela primeira opção: não tinha nenhuma experiência ou conhecimento em Bacteriologia. "Pois está muito bem, é essa uma das condições exigidas", respondeu Oswaldo Cruz. Anos mais tarde, Ezequiel Dias perguntou o porquê daquela condição. "Porque se você soubesse alguma coisa da matéria, devia ser muito pouco, só servindo para lhe dar persuasão e, portanto, lhe dificultar o aprendizado. E eu prefiro certos ignorantes...", explicou.
Em 1902, já formado, Ezequiel Dias continuou suas pesquisas no Instituto Soroterápico de Manguinhos, aprofundando os seus estudos nas técnicas microbiológicas. Daí a pouco tempo, ele colaborava no preparo de produtos do Instituto e começava os primeiros trabalhos para sua tese de doutorado, que abordava uma análise do sangue normal no Brasil. Três anos mais tarde, seguia para o Maranhão, como diretor de higiene do Laboratório Bacteriológico. No local, ajudou a instalar completo laboratório de pesquisas e orientou, pelos ensinamentos experimentais, os serviços de higiene pública na região.
Nessa época, o pesquisador começou a apresentar os primeiros sintomas da doença que lhe tiraria a vida, a tuberculose. Assim, veio em boa hora o convite para dirigir uma filial do Instituto Manguinhos na capital de Minas Gerais, cidade que, pelo clima ameno, era considerada ideal para a recuperação de tuberculosos. No Estado, trabalhou com pesquisadores importantes como Carlos Chagas, que desenvolvia, em Lassance, estudos sobre aspectos hematológicos da doença de Chagas.
Ezequiel Dias participou ativamente da vida acadêmica na Faculdade de Medicina da Universidade de Minas Gerais e publicou inúmeros artigos nos jornais da capital mineira, contribuindo para o movimento intelectual da época. Também participou da articulação entre o governo do Estado e o Instituto Oswaldo Cruz para implantação de um posto antiofídico na filial, complementando acordo assinado no ano anterior com Vital Brasil, no Instituto Butantã de São Paulo.
O pesquisador faleceu em 22 de outubro de 1922. No ano seguinte, em sua homenagem, o Instituto passou a se chamar Ezequiel Dias. Em 1941, a sede do centro de pesquisas foi transferida do prédio no centro da cidade para a então chamada Fazenda Gameleira, onde ainda funciona. Em 1970, com a incorporação da Escola de Saúde Pública de Minas Gerais, o Instituto foi transformado em Fundação e vinculado à Secretaria de Estado de Saúde. Com 100 anos de existência, completos em 2007, a Funed é, hoje, uma das maiores instituições de saúde, ciência e tecnologia do País, referência na área em que atua.




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